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Mercedes Pordeus
Recife / PE

 

O varredor

 

Varrendo a rua não importando se de noite ou dia.
O varredor com dedicação, o seu trabalho desempenha.
Pessoas passam indiferentes sem desejar bom dia
E não o agradecem pela nobreza do seu empenho.

Ele varre toda a sujeira, os borralhos a vida inteira.
Não se importa se feitos por crianças ou adultos
Está ali, e permanece no seu silêncio absoluto.
Uma criança rompe do seu silêncio as fronteiras.

Apenas uma criança... Uma criança de rua!
Dedica um pouco do seu tempo e continua...
Observa o homem solitário no seu mundo imaginário
Criança que vive a indiferença do mesmo mundo arbitrário.

Pergunta ela: Por que você está tão triste?
O homem fica calado e a criança insiste.
- Você não vê? Nem pareço um ser humano!
Todos passam felizes, mas me ignorando.

Fico aqui varrendo, varrendo... incansavelmente
As pessoas passam e fingem que estou ausente
Assim como fazem com você, não percebe?
Nem sequer um pouco de carinho do irmão recebe.

E assim aquele homem continua a sua varredura
Varra amigo, só lhe peço, não perca a sua postura.
Nunca varra desse seu limpo e nobre coração
A esperança de que um dia aprendam uma lição.

De que todos têm uma alma e um coração
Que perante Deus nós somos todos irmãos
E que Ele entre nós não fez e nem fará acepção
Recebe-nos com a mesma afeição e sem distinção.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 61 - Fevereiro / 2010