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Branca Rodrigues Vanacor
Brasília / DF

 

Em vão

 

Tão súbita essa atração magnética, incendeia o nosso encontro
Não por acaso, tão de repente, o desavisado proibido acontece,
num mero descuido, quando em espaços de pensamentos vagos
e desejos descompassados,
etéreos, nos entregamos enfim,
conformados aos caprichos agonizados de nossa saudade
Corresponde-me, mesmo com o vago compromisso de teu beijo roubado
e desperta calafrios em minha alma
Cabe em nós tantas incertezas desatinadas,
tão cheias de proibições em si de impossibilidades
Hoje sou triste, mas ao amanhecer vou ao teu encontro porque
sou espuma espessa de sentimentos
que vai... em vão... aquecer o frio inverno da saudade de ti
no imenso vão do meu coração
Beija-me tão quente, tua boca e língua atrevida,
derrama sua semente e expande o prazer com tuas palavras dissimuladas
Toca-me o desejo com tua mão úmida, única e familiar
Te quero assim, fragilizada em minha presença densa,
com cheiro de terra fértil, vermelha e úmida
pela forte tempestade do meu existir
Vem e sossega esse vendaval do querer que sopra
tão forte dentro de mim
submisso a ti
entrego-me nesse instante de pensamento
em meus possíveis sonhos livres
Ainda sinto o vazio que corre gelado
de nossa ignorância que se toca muda ....

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 61 - Fevereiro / 2010