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Messias Vilela
Poços de Caldas / MG

 

Desejo litorâneo

 

Ando comendo as palavras
Em um ritmo tão alucinante
que ainda devoro a ponta dos meus dedos
Não vou te contar em detalhe minha história.
Não por curta ser minha memória
É que tranco tudo no meu peito...
Como dominó, é meu efeito
Cada sílaba segue a derrubar a seguinte
A próxima palavra é sempre a mais esperada
E surge tantas vezes, sem a outra terminada
A minha pressa contrasta minha calma
Eu atropelo os dias de minha alma
Não planejo nadica de nada
E num estalo de dedos, decido meus enredos
Meus roteiros, meus finais
Tenho saudade da tua areia,
Das tuas ondas tão complexas, dos teus mimos
De toda alegria contida nos teus risos e carnavais
Falo pelos cotovelos e fantasio temporais
Vulcões, terremotos, maremotos
Nas manchetes de teus jornais
Para me ter justificado. Mentir pra si, sugere pecado!
Navego em rio de água doce
Embora salgada seja a Água que consumo
Estou na direção. Mas estou sem rumo
O vento, mais que eu, destina minha chegada
Se meu barco não aportou no teu cais
É porque sou brasileiro, solteiro, prisioneiro, das Minas Gerais!

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 61 - Fevereiro / 2010