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Anita Costa
Pedra Azul / MG

 

Plagiário

 

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Até onde o olho... Boca mecânica em bolas senis
Fatos inconstantes em joelhos quadris...
Para ser disforme? Para ser real?
Calcemos as sandálias velhas
E arrastemos-nos daqui

Plágio pungente plágio
Plagiando a mim mão mortiça
Dedos de carne estéril e ignota
Pensas que pode?
Talvez possa

E a cabine
Motorista sem olho
Conduz-nos aonde?

Cabotino
Que rebaixa-me às vistas
Deixando-me ao viés do chão
Descobre-se tão mais profundo e raso do que eu

Subterfúgio
Dei-me um subterfúgio latente
Que as dores do plágio matam-me
E os dedos que ontem seguraram o desejo
Porventura talvez segurem um cigarro

Tornando-me ser evasivo
Ao olho que abaixa
E as pernas que encolhem

Empalideço-me da logorréia dos dias
Dos pátios cercados...
E eu que pensava estar protegida
Fui pega
Imagem própria de osso
No plágio.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 61 - Fevereiro / 2010