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Edilson Nascimento Leão
Urandi / BA

 

A seca

 

Na seca do sertão,
O boi caído ali no chão,
A carniça é tão fétida
Que o urubu prefere o céu azul.
Sobrevoa aquele lugar,
Mas não se arrisca,
Naquele solo pousar.

A terra é tão árida e quente,
Que tem medo de se queimar.
O solo está rachado,
O que vem ocasionando,
A morte da criação.

Pois sem pasto nem vegetação,
Sem a água e a ração,
Os bichos estão morrendo
Sofrendo e padecendo
Jogados naquele torrão.

Nada por lá prospera
Nem com a reza do velho Ioiô.
Até a cacimba existente secou,
A água em lama se transformou,
E o gado berrou de dor.


 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 61 - Fevereiro / 2010