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Letícia Faria Conde
Bauru / SP

 

Ser poeta

 

Peço desculpas como quem se despede da orla
Deixando um mar repleto de seres mágicos
Imersos na qualidade de serem sós
A sós com a verdade de estarem ao meu lado

Tento o perdão como quem sabe que palavras não bastam
Para gestos dados sem o afeto do Estar
Mas Sendo deixo frases
Que com efeito mostram gratidão

Seria uma louca desvairada
Seria o pranto colhido em flores n'água
Seria submersa na saudade do Deixar
Tornando-me poemas ao Amores recitar

Porque ser poeta é observar o infindo
Que margeia esse oceano finito
Que carrega as ondas das tantas pessoas que encontrei
Pelo caminho afora ao despedir-me da orla,
mas sabendo que sempre haverá uma próxima vez...

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 61 - Fevereiro / 2010