Marilena
Chigueko Taba Watanabe
Brasília
/ DF
Obra
aberta
O que escrevo hoje
Já não é o mesmo amanhã
As palavras se transformam
É da natureza efêmera das coisas
A eterna mutação.
A flor que vejo de manhã
Já não é a mesma da tarde
Meus olhos não são os mesmos
Muda a flor, muda o tempo
Muda a estação
Outra emoção
Por isso, meus versos são incompletos
Obra inacabada, um livro aberto
Em contínua construção
O leitor com seus anseios
É coautor da minha criação
Cúmplice dos meus devaneios
Lê com as lentes do seu coração
Não o que escrevi no papel
Lê nas entrelinhas, nos espaços vazios
Acrescenta um pouco de seus desvarios
E os versos se tornam rios
No
olhar do outro
Meus versos se recriam
Alargam suas margens
Ganham novos contornos
Como as águas se deixam levar
Se abrem para a vida
Correm para o mar.
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