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Alex Tarcísio Aguiar Ramos
Montes Claros / MG

 

O poeta

 

Escrevo uma poesia cansada que jorra suor em seus versos
O suor de cada dia
Do pão de cada dia não consumido por muitos
Da semente que não se tornou fruto
Escrevo uma poesia sem me preocupar com convenções
Um jogo de conveniências, de mentiras e verdades
Sem métrica
E por amor a poesia
Finjo ser um poeta
Estraçalho o formalismo e incomodo as palavras com os meus tormentos
A poesia é uma arma
Uma navalha que corta almas
Consciências insanas
Versos insanos
Porque a sanidade foi corrompida
A poesia atormenta, incomoda
Não é uma Bossa aristocrática
Trata-se de um descompasso natural
Demasiadamente humana
A poesia insiste, é renitente
É vida
Apenas escrevo o que chamo poesia e tudo me basta.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 61 - Fevereiro / 2010