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Edmilson Soares dos Anjos
São Paulo / SP

 

Soneto da decisão

 

Eu não quero um pouco de perfume,
O vago olor de vida que perpassa
O dia a dia que a virtude traça
Na parca meia-luz do bom costume.

Quero arrancar a flor e com ciúme
Sentir da vida o bem e a desgraça.
Tenho direito à flor que hoje nasça,
Amanhã de outra flor serei estrume.

Do que prende enfim me desamarro.
Vou soltar-me liberto na amplidão.
Não me impeçam. É tarde e sou de barro.

Tudo quero. Já abri meu coração.
Venha espinho, açoite, venha escarro.
Nada importa. Viverei minha paixão.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 61 - Fevereiro / 2010