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José Luiz da Luz
Ponta Grossa / PR

 

Boa semente

 

Vi a dor marcar em faces de amarguras,
longos dramas invisíveis de torturas.
Que ostenta uma taça estranha e desvairada,
transbordante de fel, e de espinho ornada.

Vi chorar, a carne, espírito, alquebrados,
pelos espinhos do caminho apontados.
Porque há sementes que germinam fobias,
regadas às lágrimas em noites frias.

Na alma a dor chega irônica e transtornada,
com o sabor de semente envenenada.
E floresce a flor mal cheirosa e pungida,
inebriando os sonhos e ofuscando a vida.

A dor é astuta e diz:" - Cala-te imolado,
que é azedo o fruto do próprio pecado”.
Mas há sementes que dão frutos saudáveis:
Sementes de luz, de frutos infindáveis.

A luz é a lógica da terra fecunda,
à semente impura morrer infecunda.
Que dissipa as trevas nas faces de dor,
e vem do alto infinito em preces de amor.

Mesmo a fé sendo a semente de mostarda.
Mesmo pequena, mas é o que Deus aguarda.
Poderá mover as montanhas que advém,
e fazer vingar a semente do bem.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 60 - Janeiro / 2010