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Fabio Alex Moraes
Sorocaba / SP

 

Passou

 

Passou você, ou passei eu?
Por toda esta vida, você viveu?
Apenas acho que sou um pouco antigo
E quero que me tenha como amigo!

Achando esse verso no caderno escolar, chorou
Lembrando dos tempos que juntos andavam
Acabou, morreu! esse tempo já passou, ó pá!
Era engraçado quando falava assim, e riam, riam
Olhou pela janela, sorriu
Vendo o seu próprio sorriso na vidraça um tanto velha.
Lembra do dia que dessa mesma janela caiu
Aliás, caíram, por causa da troca de uma telha,
Quantos anos já faz? Sete, oito?
Não fosse o empurrão em pleno ar,
Que levou sem saber como,
Lhe fez cair em outro lugar
Pena que ele não teve sorte, meu Deus, aí vem o choro.
O salvamento para um, virou para o outro, guardamento
Lágrimas contidas, já!
Olha a cadeira de rodas, quantos anos com ela.
Ei, não sabe se ri ou chora, ò pá!
Vai ao cemitério e pra ele dedica uma vela.

Passei eu. Por esta vida que você não viveu!
Um abraço do modo antigo,
Saudades de você, meu amigo.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 60 - Janeiro / 2010