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Carlos Eduardo Von Doellinger Manhães
Niterói / RJ

 

Pano de chão

 

Velho trapo ali pendurado,
Rasgado, surrado, mal lavado.
Ninguém mais o usa.
Inútil, tripudiado!
Teve seu valor,
Aquele pano de chão.
Mas agora, agora não.
Agora imprestável, no varal esticado,
Aguarda um olhar de resgate
Que finde o ultraje
De estar ali esquecido...
Como se um nada fosse,
Como se fosse um maldito!
Tenho medo de envelhecer,
De ver nascer o ancião,
E estar assim um dia,
Tal qual o pano de chão.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 58 - Outubro de 2009