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Mercedes Pordeus
Recife / PE

 

As dores da natureza

 

Eu queria ter-te em meus braços
Assim te acarinhar em meu regaço
E te acercar com o meu abraço
Dar-te o carinho negado ao teu espaço
E da tua luta indefesa aliviar o cansaço.

Levantar feliz a tua bandeira
Empunhá-la firme e altaneira
A ti servir como uma sementeira
Ver-te bela e sempre lisonjeira
Sendo assim a estação primeira.

Sinto tanto te ver tão triste assim!
Do teu canteiro cortaram o jasmim
Entristeceste-te por ti e por mim
Ah! Minha querida irmã natureza!
De ti, estão roubando a beleza.

Perguntas-me por te denominar irmã?
Minha querida, bela e ingênua natureza
Esqueceste? Somos filhas do mesmo criador!
E é por ser tua irmã que sinto a tua dor
Porque perdeste o brilho pelo devastador.

Amazônia! Amazônia! Devastada...
Hoje piso no teu solo desesperada
Por te ver tão triste e desamparada
Da bainha tiraram a grande e vil espada
Que te feriu ao longo de tua jornada.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 58 - Outubro de 2009