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Luiz Carlos Dias
São Paulo / SP

 

Papai, posso entrar?

 

O silêncio separa nossos corações hostis,
na distância de nossas almas partidas em milhões de lágrimas,
na varanda de casa, que se abre aos braços, a cadeira de balanço,
os olhares desencontrados nas faces sujas pelas lembranças.

Teu sorriso me parece vivo e resplandecente,
ascende o meu coração, estranho abraço, não tenho,
dentro de mim uma só batida; não te temo, pois, a dor
se assenta ao meu lado, me faz companhia desde...

Os ponteiros do relógio cruzam o jardim do penhasco
profundo, vivo nas pedras, que aceitam facilmente o
caminho traçado pelo rastelo do vovô; teu olhar é mar
com ondas de tempestades, sem marinheiros a suportar
o peso da perda da âncora.

Não! O passado está lá, aonde deveria estar, pois
já não há tempo para brigas; ser homem faz pro
meu filho o pai de sonhos que tive em pensamentos,
toques e retornos pelo portão da casa - me dão asas.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 58 - Outubro de 2009