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Luiz
Carlos Dias
São
Paulo / SP
Papai,
posso entrar?
O
silêncio separa nossos corações hostis,
na distância de nossas almas partidas em milhões de lágrimas,
na varanda de casa, que se abre aos braços, a cadeira de balanço,
os olhares desencontrados nas faces sujas pelas lembranças.
Teu
sorriso me parece vivo e resplandecente,
ascende o meu coração, estranho abraço, não
tenho,
dentro de mim uma só batida; não te temo, pois, a dor
se assenta ao meu lado, me faz companhia desde...
Os
ponteiros do relógio cruzam o jardim do penhasco
profundo, vivo nas pedras, que aceitam facilmente o
caminho traçado pelo rastelo do vovô; teu olhar é
mar
com ondas de tempestades, sem marinheiros a suportar
o peso da perda da âncora.
Não!
O passado está lá, aonde deveria estar, pois
já não há tempo para brigas; ser homem faz pro
meu filho o pai de sonhos que tive em pensamentos,
toques e retornos pelo portão da casa - me dão asas.
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