Thiago
Ribeiro dos Santos
Campinas
/ SP
Ciúmes
no divã
A
imprudência sequestra o dom da imaginação.
Por consequência, pulsa a veia na testa.
É mordomia a paciência na relação.
O caos vira metástase em qualquer festa.
A palavra já não se fala, só se excreta.
O
canceriano protege o mundo no seu oceano.
O oceano às vezes queima e não se justifica.
O veneno na gengiva escorre por engano.
O ambiente tensiona quando não petrifica.
A razão já não se explica, só se ausenta.
O
abençoado se vê no espelho como o palhaço.
Uma mão se esquiva da outra. O pescoço gira.
O nó se forma quando a intenção era o laço.
A brutalidade é mais medo do que ira.
A música já não se escuta, só se desliga.
O
torpor é feio, mas seu fim é certo.
A careta tem os traços dos anos mal-vividos.
Mas o toque antes do beijo está perto.
E o beijo antes dos outros beijos percorridos.
E o ciúme já não se sente, só se desmente.
|