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Caíque Corrêa
Berford Roxo / RJ

 

Soneto puro

 

Dessa porta que não atravesso, esconde-se o meu medo:
Há o meu deserto cercado de mentiras e fugas,
Se no meu peito, cumprisse o destino em minha febre crua
E das armas do inimigo, poupa-se a trégua, não há sossego.

Dessa prisão que amacia meus dias faz-se um drama melancólico,
Não há virtudes serenas e nem ouro puro que me compre;
Das minhas certezas há um gesto e um carinho nobre
Que emana em meu peito dilacerado por tanto medo nórdico.

Desse refúgio de mar alto que repouso minha cabeça,
Uso meus braços como remos a cortar ondas infinitas
E vago livre e solto em pensamentos fortes e deixam que tudo aconteça.

Dessa porta que não atravesso, libertam-se asas inibidas,
Pássaros antes feridos transcendem mundos, vidas, forças, presença.
E de olhar preso em vitrines, sua luz quente e rica.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 57 - Setembro de 2009