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Larissa
Nascimento Sátiro
Feira
de Santana / BA
Destino
Catarina
era menina, cara sapeca, sorriso de anjo
Cabelo ao vento, pé na areia, mão na massa, cabeça
nas nuvens
Ouvido atento, língua afiada, dedo no bolo, corpo na chuva
Alma lavada, estrelas nos olhos, lua na boca, esperança...
Criança danada nem fome sentia
De tanto não ter o que comer
Nem cansaço de tanto não parar
Amiga do vento, cortando as estradas de barro
Descalça, ao relento e se te dá alento, vestida
Um pano de chita, sobre a pele de fada
Cara de anjo, riso de gente
E Catarina cresceu... moça bonita, riacho de ternura
Pomar de fruta doce e um monte de Vênus
Que dera fosse dela, só dela. E um beijo doce...
Busto de Afrodite, a boca uma fonte
Os olhos luzeiros, e um monte (que monte!)
Um monte de coisas. Que coisas!
Cara de gente, sorriso cigano
Adulta era aquela, tinha pra lá de anos
Não poucos enganos, nem tantas astúcias
Espelho de Anas, Marias e Lúcias
Era Catarina, morava na esquina, era filha da rua e mãe da
Natália
Cara de bicho e nem mais um sorriso
Rugas cobrindo o encanto, marcas escondendo as vontades
Passos lentos, peito aflito, batidas suaves, lágrima amarga
Apagaram-se os luzeiros, parou de chover
Parou de ventar, adeus Catarina
E agora? Quem vai cuidar da Natália? A avó.
E vai lhe cantar canções de ninar, pra ela que já
nasceu assim
"Uh, uh, uh menina mandu, cara de gato, nariz de peru"...
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