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Lucelia Aparecida de Lima Almeida
Mairiporã / SP

 

Vidas que se cruzam

 

Quanto terei que viver
Para aceitar esse meu destino
Ainda que eu seja seu apoio
Sua dependência afetiva

Sinto-me num mar à deriva

Quanto terei que viver
Para deixar de me iludir
Ainda sou seu status social
Sua influência positiva

Sinto-me presa em seus conceitos

Quanto terei que viver
Para fugir dessa manipulação
Ainda que eu grite por socorro
Sua apatia é gritante

Sinto-me oprimida e desamparada

Quanto terei que viver
Para fugir de mim, sem padecer
Ainda que nossas vidas se cruzem
Sua vida não depende de mim

Sinto-me apenas um vaso de enfeite...

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 57 - Setembro de 2009