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Eritânia Castro Machado de Sousa Brunoro
Rio Branco / AC

 

O desprezo

 

Ah! Como dói o desprezo!
Esse sentimento obscuro e tão descabido,
De palavras largadas ao vento tão insensatas,
Intolerância e incompreensão que agridem.

Ah! Como dói o deprezo!
Num quedar que inflama todos os sentidos.
Requinte de crueldade que amarga o coração,
Auto-suficiência de si para o mundo.

Ah! Como dói o deprezo!
Infantis atitudes, precipitados momentos,
Daquilo que se diz, muitas vezes sem querer dizer.
Rompantes apoderados como fortes balas no peito.

Ah! Como dói, esse tal de deprezo!
Que escarniça as entranhas dos sentimentos,
Instigando a sensação do abandono latente.
Vidraça estabelecida entre as mãos que não tocam.

Ah! O pior do desprezo não são as palavras ditas,
Mas o silêncio dilacerante que atinge nossa alma.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 57 - Setembro de 2009