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Gustavo Nishida
Presidente Prudente / SP

 

Passageiros

 

Quantos tempos faz o tempo?
Não sabe se deveras era
Se o que vês agora
Era a crença de uma espera
Ou a demora de uma era
Que não era uma vez.

Passageiros do hiato permanente
De um caminho de paisagens
Que transforma suas passagens
De um remoto ao presente.

É encarar os olhos do céu
Como estrelas infantes
Que apagam sem que veja
A luz que as faz brilhantes.

Lembrar como se fosse amanhã
Planejar o que criamos ontem
Pedir por um passado melhor
E resgatar a memória do futuro.

Trocar o álbum de retratos
De muitas miragens pregressas
Preencher com imagens de sonhos
Pra recordar um futuro intacto.

Que o tempo nos encontre pronto
Sempre, no enquanto isso
Que nunca mais, será para sempre.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 57 - Julho de 2009