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Argentino Vidal
Belo Horizonte / MG

 

Olhai o direito de viver de todos

 

Olhando o mundo sem nenhum apelo
Marcham exércitos desumanos
Seguindo o culto ao deus do século
Séquitos instrumentos insanos
Bandos comandados a radar

Vão criando angústia com mãos de pedra
Suando gotas de sangue ferventes
Estilhaçando vidas almas pela metra
Restando somente aos inocentes
Morte, dores, eternas cicatrizes.

E na renúncia cega da vida alheia
Procuram levar seu mastro desfraldado
Fazendo suas armas de bateia
No garimpo do poder desmedido
Usam até núcleos radiativos.

E aos ombros dos grandes poderosos
Pesam sempre lucros econômicos
Comandando o mundo, impiedosos,
Sem arrependimentos nem remorsos
Pelas miseráveis vidas decepadas.

Lamentos se as trevas ouvissem
Talvez repugnassem e alegrariam
Pois se esta infernal vida sofressem.
Talvez comparada às trevas sentiriam
Felizes por estarem em fornos pecadores.

Olhai o direito de viver de todos
Salvai desta contaminação que assola a Terra
Dos lucros com sangue inocente dotados
Trocando a violência ridícula da guerra.
Pelo amor, a paz que todos desejamos.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 57 - Julho de 2009