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Julçara
Cavalcante Cruz de Almeida
Fortaleza
/ CE
O
poeta e a menina má
Em meio à escuridão a invasão começa
Fim da solitude.
Navalhas tão finas esgrimam na noite
A festa se faz.
A tarântula convida, a mosca aceita
Um encontro a dois.
Dois olhos buscam outros dois encontram
A troca acontece.
Dezembro na reta, os dias se arrastam
O tempo encolhe.
Um inverno escuro, um verão colorido
Estações sem fim.
Cabelos ao vento, coração ritmado
Um ser noutro ser.
Um poeta escreve, seu sonho distante...
As palavras estão.
O vôo de um pássaro, uma segunda-feira
Vou para você.
A travessia do átrio, a visão do declive
Silêncio ao redor.
Contrariando a natureza
O rio pacífico recebe o mar.
Do encontro esperado entre o rio e o mar
Nasce o beijo.
Um braço que enlaça outro braço estranho
Entranhas em fogo.
O rosa e o azul lançados ao chão
Dois corpos nus.
Duas bocas famintas calam as palavras
Gulosas estão.
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