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Poliane Andrade de Oliveira
Muriaé / MG

 

Mundinho que não me convém

 

O progresso deixou minha cabeça tonta
Hoje só se fala na tal globalização
Sem que eu perceba meu mundo desmonta
Estou perdido no meio da multidão.

Não vejo cavalos e nem mesmo o trem
Que logo cedo galopeava ou reluzia na estação
Sei que este mundinho não me convém
Socorro! Quero voltar para o meu sertão.

Aqui tem mais gente que formiga
Pedindo esmola e passando fome
Por onde ando só me deparo com briga
O povo vive falando em um minúsculo telefone.

A vergonha apartou-se daqui com o respeito
Os costumes são gírias entre marginais
Não sei quem foi o sujeito
Que disse que aqui tem belezas internacionais.

Desculpe-me, mas neste lugar não fico
Terra que só me trouxe desencanto
Partirei amanhã bem cedo, eu acredito
Ouvir um galo a cantar no meu recanto.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 57 - Julho de 2009