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Larissa Nascimento Sátiro
Feira de Santana / BA

 

Antimatéria

 

É quando somos consumidos que existimos.
A existência só se dá assim:
quando não há salva-vidas,
quando se está só,
quando o risco é iminente;
quando um vento forte
espalha as folhas todas que ordenamos.
E nos resta uma só folha
que talvez nunca tenhamos... lido,
que talvez esteja em branco... ainda.
É neste momento sublime, caótico,
que nos sentimos vivos.
É exatamente lá,
quando só precisamos do grafite!
O grafite é mágico;
como o diamante.
Os dois nos tornam extremamente poderosos
mas só um nos permite ir além dos limites do óbvio...
Eu quero ser consumida,
arder em chamas,
até a última molécula de carbono.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 56 - Junho de 2009