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Aldo Martin Sotero
Málaga / ES

 

Banalidade...

 

Amanhece na calçada
envolto em jornal, esticado
sobre folhas de papelão
resíduo urbano, inútil
não-reciclável, entulho,
ordinário, mal-cheiroso,
sem valor comercial
quem sabe talvez, morto
pobre coitado, um bicho.

Chama atenção, o embrulho
do catador de latinha
à miséria acostumado
que ao levantar o Estadão
constata o que já previa
não é nada demais, é só mais
um mendigo abandonado
que morreu de inanição,
ao lado da lata de lixo.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 56 - Junho de 2009