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Stela
Aparecida Oliveira da Silva
Francisco
Beltrão / PR
Epicédio
Já não sei mais o que sinto.
Um emaranhado de sentimentos ferve-me a alma,
Queria poder arrancar minhas lembranças,
expurgar certos pensamentos e deixar de sentir certas dores.
Uma música que me lembra certo tempo, um cheiro que me remete
a um momento,
uma paisagem que permite o ressurgir de sensações.
Só queria deixar de sentir, queria ser insensível e
conseguir seguir.
Mas é impossível, pois a tua presença está
viva em mim.
Presente nas tais lembranças, em tais pensamentos, nos meus
desejos,
até em minhas preces.
Sinto falta do que nunca existiu,
sinto falta da paixão que me consumiu e agora só me
faz sofrer,
sinto falta, só sinto e tanto.
Num instante é dor intensa, noutro uma saudade extrema,
por vezes alguma indiferença e um constante reviver.
Sensações antigas que se transformam... velhas em novas
dores
Um eterno perecer, uma dor constante, contínua, latente que
por vezes rebenta e adormece numa morbidez atroz.
Não quero mais amar e reamar, não quero mais me apaixonar
e reapaixonar
Pois ao final só torno a sofrer.
Já não sei mais o que sinto ao odiar amar-te com tanto
ardor.
Ao adorar com tanta loucura teus defeitos mais profanos.
Ao estremecer desejando-te mesmo com raiva de teus modos...
E confundo-me com sensações tão antagônicas
que fazem-me sentir viva e morrendo de tanto amor.
Já não sei mais o que sinto se quando estás por
perto te maltrato,
quando longe sinto tua falta e chego a sonhar, feito criança,
de tanta saudade.
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