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Thiago
Ribeiro dos Santos
Sumaré
/ SP
Tons
de faísca
Enquanto o abalo sísmico da nossa trama
for o drama que prosa no meu timbre raivoso,
repulsará a carícia como se acariciasse escama,
antes que o solo se assente no recomeço melodioso
e que cada centímetro quadrado de mim se torne extenso,
cruzando teu quadril, que deixo suspenso
para o deleite vicioso.
Enquanto
exprime o auge do feminino complicado
e prega que a carne do homem é de um lobo uivante,
consegue apontar para o meu pêlo mais ouriçado,
e na pulsação, rufa o tambor ligeiro e fulminante.
Em tons de faísca, preenche a minha percepção.
A depravação induz a feição estrábica
contra a monotonia do nosso semblante.
Enquanto
a pronúncia injusta for tão irremediável
quanto o receio mútuo de nos perder,
o humor irradiará da minha presença instável,
mas a lenha sempre consente em reaquecer
com a flama que me dá por amar entregue
e por esta lava que incinera os fluidos petrificados,
desacostumados a te ter.
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