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Vander
Artur de Lima
Rio
de Janeiro / RJ
Portas
Dentro,
há uma prece mansa
que acalma;
há também um deserto
onde vive o perdido;
há cicatrizes,
que ainda revelam
o trajeto da dor;
há um jeito soturno
de existir;
há restos de fantasias,
que o tempo corroeu,
impassivelmente,
como um bicho
inquieto.
Dentro,
há bagaços
cujo sumo foi amargo.
Mas tudo se dilui,
graças,
e a faca cortante
perde o fio.
E os monstros perdem a fúria:
hoje, já não são tão ferozes!
Dentro,
fico,
aos poucos,
a abrir portas!
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