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Juracy de Souza Neto
Boituva / SP


Falésias

O mito de viver para sempre
Como é bom com isso sonhar
Se estar aqui há milênios como as rochas
Que estão nas praias recebendo golpes
Da água de sal que tudo lava e limpa

Queria ser como as Falésias de Torres
Que ali permanecem firmes em suas préteas vidas
Onda após onda, chuva após chuva
Caranguejos e pássaros que ali vivem
Sem saber o quanto o gigante ali está

Desde a origem até o desembocar da vida
Ali estão firmes e eternas como eu desejaria ser
Como meu amor poderia permanecer
Mas não sou rocha nem mito, sou coração
Sangro, choro e acabo me ferindo

Como se caísse de meu sonho
Como se despencasse das falésias que amo
Paredões gigantes que inspiram que são mitos
Que fazem de meus sonhos infinitos
Como os delírios de amores dos sonhadores

Pena, não sou eterno, pelo menos não aqui
Não fora de minha crença, então aqui fica o mito
O sonho que parece finito de ser como as falésias de Torres
Pelo menos forte aos golpes das ondas da vida
Ou quem sabe feliz por sabê-la nunca perdida

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 54 - Abril de 2009