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Glória Brandão
Itabuna / BA


Poema luz

 

Bordei com fios de ouro as vestes do meu viver
Não para pisar em um palco e brilhar como o sol
Para que os dias plúmbeos não pudessem me deter
Sou alada e meus versos é luz iluminando o arrebol.

Prostrar-me aqui enquanto a vida corre lá fora?
Nunca! Nesse mundo de incessantes novidades
De gente que chega e nem sabe deixar saudades
Onde, fatalidades ao acaso acontecem a toda hora.

Há tanta audácia nesse viver e tantos querem aparecer
Bactérias e vírus novos com mais resistência
Asquerosos são os vermes humanos, fazem-nos padecer
A natureza inocente, sofrida... Enlouquece por clemência.

Insisto em usar as vestes douradas que um dia bordei
Para que não morra de tédio com o cinza da nossa nação
Planos sórdidos, promessas em vão, larápios de coração
Há esperança! Já gozo vitórias que um dia aspirei.

Se acontecer, minhas asas quebradas, estarei a brilhar
Leitor, guarde isso na tua memória, guarde agora
Dignidade é Tesouro da Cor do Ouro - não pode olvidar
Devemos sempre reluzir! Deus é Luz a toda hora .

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 54 - Abril de 2009