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Rodrigo da Silva Tomé
Jaguariaíva / PR


Soneto de verão

 

Fiz versos de verão como quem chama
Para si o dia sólido, ardente.
Este dia que ninguém agora sente,
Dia este soterrado pela lama.

Fiz versos de verão pra quem reclama
Das dores de um mundo descontente,
De pequenos prazeres que nos mente
De tal forma... Que apaga nossa chama.

A nossa natureza não é esta
Que o velho capital nos disse ter!
Quem sabe o coração talvez em festa,

Se certo dia pudéssemos viver.
Soubéssemos então que nada resta
Além destes escombros, nosso ser.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 54 - Abril de 2009