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Carlos Dawson
Marília / SP


Doeu a morte do eu

 

Bimbalharam os sinos da matriz anunciando a morte do eu, resistindo até o último minuto, assim morreu.

A lapide fúnebre trazia a seguinte escrição: " aqui jaz um pecador, narcisista, indisciplinado, impudico, que em sofismas morreu; ele era eu".

oh, como doeu a morte do eu!

Felizes os que não dormiram na ignorância, os que não fizeram do eu o seu tudo. pois, quando eles morrerem não sentirão a terrível dor da separação.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 54 - Abril de 2009