I
O medo,
raposa dos sentidos,
entrou sereno e furtivo
pela ninhada do amor.
E o amor
com seu ventre hospedeiro
acolheu todo o medo
oferecendo-lhe abrigo.
Saciou
sua fome, matou sua sede...
E
tão contrário a si o mesmo amor
perdeu-se em seu invasor
deixando-se cobrir por ele.
II
O amor
ainda cedo
lamentou sua sorte
por trazer em seu corpo
a semente do medo:
um filhote
morto