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Décio de Moura Mallmith
Porto Alegre / RS

 

Melancólico dia

 

Melancólico era aquele fim de dia
Suavemente pacato, terno, morno
Como todo o fim de dia de outono.

Surge-me, então, radiante, fugidia
como vela bruxuleando ao vento,
esgueirando-se, vã, pelo tempo.

Capturo-te pela luz que me irradia
e que, sorrateira, jamais se abate
ao contrário, se esvai lentamente.

Qual uma folha caida na rua vazia,
Permaneço imóvel, te respirando,
farfalhando teu nome... te amando.

Sucumbo como o sol que já jazia,
no horizonte lúgubre que lá se via
Ao findar aquele melancólico dia.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 53 - Fevereiro de 2009