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João Geraldo Orzenn Mattozo
Paranaguá / PR

 

Reflexão sobre a miséria da fome - III

 

A fome... Na fala do Velho do Restelo
Ao astronauta, a fome revela Saramago,
Mordaz flagelo humano, sabor amargo,
Gritos horríssonos de eterno pesadelo.

Posta está a mesa, farta de restos humanos,
O astronauta, alheio na ignorância a flutuar,
No vácuo mental do luar se deixa desvirtuar,
Acredita que o napalme ponha fim a enganos.

E brincamos de prestidigitadores do amor,
Encobrimos os ouvidos, para cessar o clamor
Da dor da fome, dos gritos sem nome...

A fome! Na terra, há fome? A fome...
Em cujos braços jaz o pobre anônimo,
Miséria humana profunda é teu sinônimo!


(inspirado na poesia de José Saramago:
"A fala do Velho do Restelo ao Astronauta"
)

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 52 - Dezembro de 2008