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Gélcio de Barros Sormani
Mainz / Alemanha

 

Por ora, me basta

 

Por ora, me basta viver,
nada mais além de viver.
livre de impostos sonhos mundanos,
de ter, de ser, e salvo engano,
sem o menor desejo de vencer.

Por ora me bastam os trapos
que me servem de manto
com o qual enxugo meu pranto,
e minhas velhas franciscanas
que já de tão gastas
no meu destino nem gravam mais meus cascos.

Por ora, me basta repudiar as disputas,
[ competições pra satisfazer meus senhores ],
me basta a indolência,
ser resto,
ser coisa,
ser nada.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 52 - Dezembro de 2008