Ah!
Outro dia passei por aqui
Tarde quente, moscas voando, suor na testa
Na cerca de bambu um "tiziu" pulando
Misturando o teu canto com o silêncio
Ao longe se ouvia uma máquina moendo cana
Quem sabe para fazer rapadura...
Atrás da cerca canteiros de terra escura fofa, estercada
Couve, jiló, alface, berinjela e a tarde a estalar
Na colina, onde o mato verde escuro prevalece
Tem taioba, inhame e capim pros bodes
No meio das taiobas uma mina dágua
Água clarinha que vem da nascente logo acima
Escorre silenciosa
Do cano ouve-se o barulho dela caindo no laguinho
Peixes pequenos devem ter lá....
No caminho de entrada da casa, poeira vermelha
Um cachorro magro deitado, sujo e desanimado
Pés de manga, jabuticaba, laranjeiras misturados
Lá no fundo ao lado do galinheiro um pé de jaca
Podem-se ver as jacas debruçadas loucas para serem saboreadas
Sobre a casa um flamboyant faz sombra
Deste lado cerca de bambu, do outro lado arame farpado
Eu aqui na estrada de novo olhando o que deve ser olhado
A tarde vai mansa, um bem-te-vi canta
Da janela aberta sai apenas fumaça
Da sala vê-se apenas o balançar da cadeira
Não vejo mais nada...