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Bernadete Menegathy
Belo Horizonte / MG

 

Se... Se... E se...?

Se minha fala respeita o Silêncio Grandioso da Manifestação do CRIADOR
Se respeito os seres CRIADOS e os fatos permitidos por ELE na CRIAÇÃO
Se percebo em mim o divino e o humano em plena adapta-AÇÃO

Se leio a essência das normas que alguns escreveram pra mim
Se aceito a reflexão nascida na insônia do dia e no claro da noite
Se me apoio na convicção surgida do esmero constante com a OBRA
Se me cubro com a transparência do véu branco de anil

Se abro o pacote e desvendo o Pote
Se retiro a mordaça da língua e a viseira dos olhos
Se libero o trilho e traço a estrada nas retas e curvas
Se abandono as ondas do rio e busco as margens do mar

Se desnudo o corpo da alma e acolho a criança a tempo
Se mantenho nas mãos as chaves do meu fechar
Se me refresco no sempre quentinho do meu coração
Se curto o banquinho da praça no Jardim florido da alma
Se me en-canto canções de ninar quando eu quero dormir

Se faço e re-faço a faxina que o tempo me ensina a amar
Se deixo bem limpos os tabus do bau da vovó

O 'se' vira É,
e assim
SEMPRE será!

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 52 - Dezembro de 2008