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Larissa Nascimento Sátiro
Feira de Santana / BA

Num canto do mundo

Quando subo e desço a rua 5,
a rua de aurora encarnada,
onde repica e soa um abastado canário...
"é de rocha", juro!
Esse alvoroço pleno de tarde de domingo...
Na minha cabeça ressoa esse canto.
Desse canto da casa é melhor;
o som me leva à beira daquele abismo molhado.
Sem salvação aqueles olhos abertos me vigiam.
Na medida do meu corpo alardeiam minhas idéias.
Todos os meus sonhos mortos
descem e sobem aquela rua
ao som daquele canário.
E a solidão das tardes,
alheias ao caminho que me fazem trilhar,
fazem seguir a vida...
Vejo muita gente comentar sobre as mágoas.
Que as águas as levem. Que história é essa de:
\"Você tem que esquecer e seguir adiante!\"?
Você diz isso porque não pode ouvir esse canário
da rua 5, esse ato falho!
Esse absinto... eu sinto muito!
Mas não quero mais saber mais.
Minha mente evoluída precisa agora de... PAZ!
Faz... faz muito tempo que eu estava lá:
em cima do muro, driblando o azar
de conviver com o que se faz.
E agora esse grito mudo que não me sai da garganta,
e esse canário que não quer calar!

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 52 - Dezembro de 2008