Blasfememos
cantando
Nas andanças, descalçados.
Com vestes de ouro brilhando
Em verdes e longos prados
Argumentando com as aves
Xingando os rios
Sem olhar a tarde
Que no silêncio causa arrepios.
Caminhemos sem dar cumprimentos
Fazendo sinais de desacato
Sendo hereges ao sorrir pro vento.
Apontemos o justo como acusado
Tranquemos a nossa alma
E nos passemos por tristes e solitários
Chamando a piedade com calma
E a tiremos dos otários
Façamos banquetes em campos limpos
E o sujemos com nossa fala
Apertemos a mão dos ímpios
De quem, o fogo não se cala
À noite, voltemos felizes e bêbados
Orgiosos e quentes
Homens valentes
Retornemos à manhã, bem cedo.
Cobremos de Deus pelas nossas vitórias
Sabendo o mal que estamos a fazer
Com sopro, nos escarmenta na escola,
Nos engasga com tua ira, até morrer...
Um por um.