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Vinícius Lima dos Reis
Feira de Santana / BA

Quero poetizar

Quero poetizar. Sei que não sou poeta mas quero sentir, quero afirmar.
Vou numa página branca desenhar o meu rosto, definir as cicatrizes do meu ser.
Gritar ao entendimento alheio os meus anseios e meu prazer.
Ainda esquadrinhar as métricas, medir a festa e o gosto do viver.
Vou quebrar a régua, extinguir as regras da vã forma de escrever.

Lerei Carlos, hastearei Bandeira, pedirei desculpas a Chico, apelarei para Moraes.
Marcarei um encontro com Einstein para expor as relatividades, me mostrarei mais mortal.
Analisarei a claridade de Clarice e a cor da Cora.
Ouvirei a prosa e também o Tom.
Falarei direto com Salomão, cantarei seus cantares.
Correrei atrás da sabedoria e buscarei o dom.

Nisto tudo serei sóbrio!

Serei mórbido no amor humano, amarei a morte e o insano. Anunciarei o luar.
Farei minha própria música, quero ter mais astúcia no meu querer e pensar.
Vou fazer uma plástica, fugirei do pensar das massas, desmistificarei o horror.
Serei um novo, voltarei ao ovo no meu gesto e no meu andar.

Procurarei as respostas e, quando encontrá-las, montarei as minhas próprias perguntas.
Vestirei o triângulo, mapearei as bermudas, sumirei no mapa e no mar.
Quero fabricar meus próprios pensamentos, expor meus sentimentos. Farei o sol nascer.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 52 - Dezembro de 2008