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Andreia Detogni
Coronel Vivida / PR

Lugar só nosso

Eis que vi a morte a fazer-me companhia
Na madrugada fria sem estrela à vista,
Disse-me ser dela conquista presa fácil e certa,
Não quero-te aqui! Lúgubre e tênue aresta.

Mandei-a longe, mas de mim não se ia!
Disse abreviar o meu tempo arrancando os meus dias!
Não, morte afoita!
De mim não conseguiria.

Fitei o olhar profundo, sedento de minha alma,
Segurei as frias palmas.
Ha morte fria! Dou-te colo no alvorecer deste dia.

Afastei-lhe os cabelos um tanto quanto desgrenhados
Arrumei-os jogando-os suave para o lado
Senti com os meus a doçura mórbida dos lábios
E que doce sabor de sonhos com dores ceifados!

A morte é tudo que me oferta?
Dispenso e dou-te a vida dos meus favos,
Sepulturas e alcovas são o que me entrega?
Dou-te a minha luz e meu luar, renega?!

Dá-me tua mão de morte!
Mudemos nossa sorte, saiamos daqui!
Há um lugar só nosso...
Onde não há o partir...

("A Luciano Roberto Almeida Silva
Que se fundia na arte,
Que não brincava de escrever,
Que fez a diferença,
Que me ensinou a sonhar, e ousar.
A poesia que escreveu na minha alma não partirá,
Os haikais que fluiam de ti em mim estão,
Ficarão eternos aqui, pela infinitude do tempo.

Querido, mestre, amigo... Eu amo você.
")

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 52 - Dezembro de 2008