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Gustavo Nishida
Presidente Prudente / SP

Sertão


O sertão é o mundo unido
Da seca com o viver
Da escassez e do padecer
De tudo o que faça desaparecer
A chance do sertanejo
Ser tão diferente
Do que há vidas vê.

O que faz o homem do sertão
Ser tão resistente, valente
Forte que luta contra
A própria sorte injusta
Sertão da fé, do sonho limpo
Impossível que parece real
No espelho inquebrável
Da esperança que só sabe
A incerteza que acha do amanhã.

Que acha do amanhã?
Ser tão dono de um mundo vazio
Onde o nada pertence a todos
E onde todos podem ser tantos
Ser tanto, ser tão pouco
Em sertão de fugitivos
Da própria existência.

Espera o esperado dia
Em que o sertão vai vir a amar
O homem que lhe ocupa.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 52 - Dezembro de 2008