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Allan Pitz
Rio de Janeiro / RJ

Rapadura e Maré


Rapadura e Maré!
Uma carta, uma rima, um bicho de pé!
Um prego de cruz cravando na fé.
Roda pelo mundo sem saber amar,
Saboreia maldito, o doce da vida;
E o dente quebrado é só o que fica
Da dureza que tenta ocultar.


Maré mansa tudo em paz.
Maré cheia nunca mais
Maré torta... Maré morta...
Maré, que abre e fecha a porta,
Maré de idas e voltas,
Maré que sacode os mortais.


Rapadura é o doce brigado,
Doce com empenho saboreado
Por mera vingança dentária.
E como na briga da vida,
Na memória sempre vale a ferida
Se o objetivo é alcançado.


Rapadura e Maré!
Uma carta, uma rima, um bicho de pé!
Um prego de cruz cravando na fé.
Roda pelo mundo sem saber amar,
E se perguntado, coitado, nem sabe dizer quem é.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 51 - Dezembro de 2008