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Luís Cláudio Ferreira Silva
Maringá / PR

Se soubesses que te amo


Se soubesses que te amo nas esquinas
Que te observo às espreitas
Que de longe, encantado com teu sorriso fico...

Ah! Se soubesses que, à noite, deitado,
Edifico palácios e castelos...

Se sonhasses com minha afeição
Se soubesses da devota intenção
De ter-te a ninar carícias
No fim da noite e no cansaço...

Ah! Divino deleite
Se descobrisses que desde a sua mais tenra infância
Quando passavas em minha rua
Já me despertavas frissons...

Se verdadeiramente soubesses
O quanto desejo um olhar recíproco
O quanto desejo um sorriso brincalhão
Um sorriso, igual àqueles que nunca me deste
E parecido com aquele que tu desperdiças
A todos que passam e que nada te somam...

Se realmente soubesses
Que vi o teu despertar para a vida
O crescer de tuas maçãs
A menina se tornando mulher...

Ah! Puro ardor de sexo forte
Mulher-sujeito que faz lei de tuas idéias
Se adivinhasses que eu poderia tornar-me objeto
De tuas vontades, de teus desejos...

Se viesses a ter conhecimento
De que, após conhecer outras paisagens,
E tocar inúmeros e variados corpos
Descobri a paixão que esconde
Por trás dos muros e no olhar amiúde...

Oh! Divino olhar, se soubesses o quanto te desejo
Não te quereria mais eu
Pois secreto é o meu amor, e puro também,
E se puro és, é porque, de longe, te espreita

Se descobrisses minha paixão
E assim me correspondesses
Paixão não mais seria
E passarias a ser apenas mais uma
A tocar meu s lábios
A sentir meu corpo

Prefiro a distância
Para te amar escondidinho e para sempre
Do que estar ao lado e te amar por pouco tempo
Renuncio o teu corpo, o teu ardor
Para preservar o profundo amor
Que, verdadeiramente, nutro por ti.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 51 - Dezembro de 2008