Regulamentos Como publicar Lançamentos Quem somos Edições anteriores Como adquirir Entrevistas
 
Antologia on line
 

João Molon Neto
Franco da Rocha / SP

Fui eu, sem você


Quando partiu, me condenou a vida, a uma morte indigna, que com um golpe, me abriu uma ferida, ferida esta, que sangrou sem medida, e me provocou constante agonia, levando embora a minha vontade e a minha alegria, me entregando a um estado de catatonia, onde os dias foram
alimentados pelas lágrimas de sua ida.

Neste triste adeus, fui eu, sem você, uma dolorosa despedida, nesta vida pela morte infringida, por esta dupla partida. Fui eu, sem você, sem ao menos contemplar um amanhecer, sem poder caminhar juntos ao mar, fomos separados pelas leis, que ainda não podemos compreender, sem podermos satisfazer juntos, nossos desejos de viver, de pertencer um ao outro, como a parte de um todo; único, feliz e perfeito, Ser.

Fui eu, sem você, nos perdemos sem querer, antes mesmo de nos conhecer, antes de navegar nos segredos de nosso poder, antes de se perder ainda mais no teu olhar, de poder viajar, sem ao menos pensar; de inundar a razão, com um tsunami de emoção e de mergulhar nesta sensação e sentir bater mais forte este já combalido coração.

Hoje vivo enclausurado em minha fortaleza, sem reconhecer nenhuma beleza; como um senhor de meu mundo, estático e imundo; um escravo de minha solidão, um estranho ao meu coração; um vadio que não respeita a si mesmo, que se vê sobre lampejos, de um amor que se foi, e não se foi, que feriu e não partiu, que sangrou e ninguém o curou.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 51 - Dezembro de 2008