Regulamentos Como publicar Lançamentos Quem somos Edições anteriores Como adquirir Entrevistas
 
Antologia on line
 

Gustavo Nishida
Presidente Prudente / SP

Leitura dinâmica

Tape os olhos, cubra os ouvidos, feche a boca
Diziam assim os macacos dos templos sagrados
Contra o mal ver, mal ouvir, mal falar.

Tape os olhos, cubra os ouvidos, feche a boca
Dizem assim os macacos do tempo sagrado
Contra o muito ver, muito ouvir, muito falar.

O tempo sagrado não se deixa perder
Em palavras que não agradem.
Resumam a poesia, cubram o afeto indiscreto
O grito de protesto, o pensamento manifesto.

No tempo em que o subjetivo,
Estava abaixo dos objetivos
O tempo não esperava.

No tempo em que refletir,
Significava ir e vir
O tempo desesperava.

Pede o rápido, o mais ou menos
Que os meios sejam só metades
Nunca a via de verdades
Perde o mais, deixa o menos.

Pressa era inimiga da perfeição.
Fizeram as pazes
Virou amiga da depressão
De valores, do ânimo
Que nos tornava animais sagrados.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 51 - Dezembro de 2008