André
de Siqueira Santos
Jacareí
/ SP
Piche
Néscio
Vou
entrar nas palavras de Rimbaud
Mostrando-lhe minha mandíbula decaída;
Aterrorizando sonos perplexos.
Debruçado ao chão e sentindo policiais
À nossa espera
Com seus verbos sujos.
-
Camaradas! Me esperem!
O desgraçado ônibus já vai cruzando
Sobre o Piche Néscio afundando,
Com seus alto-falantes que são caras e bocas.
Sinto o cheiro! Piche Néscio não espera
Com seus sintomas de solidão!
Piche
Néscio se estende pela escuridão,
Pelo luar da neurose longínqua,
Na rodoviária de suas vísceras
Estomacais, matinais, marginais, materiais.
Ele não faz questão de esperar;
Piche Néscio!
Nuvens
irão passar nos laureando;
Laureando nossos pêlos tórridos,
Sorrisos latinos, flamejando jóias
Escorrendo pelas coxas;
Engendrando nossas libidos;
Instigando frenéticas multidões.
E o Piche Néscio não adormece.
Piche
Néscio lânguido e quase moribundo!
Sério sob os pés de seu cortejo
Néscio, mascarado, mas Néscio!
Piche Néscio, mexe bebendo o vício,
Piche Néscio, desce pelo lixo,
Desce pelo nicho feito bicho.
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