José
Faria Nunes
Caçu
/ GO
Simbiose
da paixão
Até
os campos de Parnaso levou-me o caminhar
e sem piedade as musas de mim se apossaram.
Aos caprichos de Eros e Afrodite entregaram-me
e lá também estavas condenada à mesma sina.
Eros
a mim incorporado e em ti a força de Afrodite
os deuses do Olimpo em nós entenderam-se de habitar.
O jogo do cupido fizeram-nos praticar - o exercício do amor.
Entre
as montanhas de um lado, e do outro, ondas do mar,
pela areia da praia fizeram-nos caminhar.
Já nem sei quem mais queria, se era eu, ou eras tu
só sei que aquela a cena jamais alguém conseguiu.
No
palco o fremir de dois corpos a dançar.
Protagonista? O amor. Platéia? As ondas do mar e encostas
íngremes dos montes, as testemunhas de nossa sede de amar.
Sem
piedade e sem clemência fizera-nos o cupido
a possuir-nos um ao outro em louco ritmo,
o frenesi do amor. A gramínea entre lençóis
de areia, nossa alcova, os respingos de nosso gozo, fruto do fogo
intenso da eternidade reprimida no desencontro do amor.
O arfar de um e do outro, os corpos dos dois amantes
fizeram a dança da mitologia dos deuses da perpetuidade.
No
céu o sol se escondia no poente enquanto a lua
no oriente surgia. Antológico texto de uma crônica de
amor
do explodir em gozo intenso da simbiose da paixão.
Dois
corpos, duas almas na imensidão virtual
no celebrar da aliança do litoral e do sertão
da descendência do Anhanguera e de Maurício de Nassau.
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