Elizabeth
Maria Chemin Bodanese
Pato
Branco / PR
Uma
elegia
E
o mundo se fez, mas nele não tive vez.
Fui abandonado ao acaso... alado...
Não sei se foi a sorte ou a tão precoce morte!
O sonho foi roubado do bebê nunca acariciado.
Um menino no ventre, um garoto ausente...
No
lar em que nasceria nem amor havia.
Bebia o pai violento. A mãe, sem acalento.
Um choro engasgado, desespero arraigado.
O menino partiu, pois a morte preferiu.
Um menino no ventre, um garoto ausente...
E
o vazio ficou... A relva chorou.
Do menino o pezinho nem nela fez carinho!
A chuva se escondeu... Cadê o menino meu!
Arco-íris descoloriu desde que o menino partiu.
A vida acabou... Uma criança não desabrochou.
Um menino no ventre, um garoto ausente...
Um
choro calado... Um coração apertado.
Uma lágrima na face. Um grito de quem não nasce.
Uma pedra fria. Uma elegia vazia.
Uma morte insana! Uma sanção desumana!
Um menino no ventre, um garoto ausente...
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